Patrocínio oficial

Pernambuco

Coordenador

Dra. Beatrice Padovani Ferreira

Telefone

(81) 99608-3982

E-mail

beatrice.ferreira@ufpe.br

Pernambuco foi um dos primeiros estados a promover ações de conservação do senhor das pedras, o mero, de nome científico Epinephelus itajara. Desde então, estas ações têm continuado, impulsionadas pela presença constante do Projeto Meros do Brasil e parceiros, e o mero atualmente representa um símbolo na luta pela conservação e uso sustentável da zona costeira.

1995 – O primeiro estudo foi publicado em 1995 no Boletim Técnico-Científico do Cepene, como título  PROJETO MERO: apresentação e resultados preliminares. Beatrice Padovani Ferreira e Mauro Maida Boletim Técnico Científico – Volume 3 – Número 1 – Ano 1995.  e fundamentou as medidas de conservação subsequentes.

1997 – A espécie é protegida desde a década de 1990, através do decreto do zoneamento ecológico econômico do estado de 1999 e dos decretos de criação das APAs Costa dos Corais (APACC) (Federal) e Guadalupe (Estadual) em 1997, e do Parque Natural Municipal Marinho do Forte de Tamandaré em 2003.   

2006 – O trabalho contribuiu ainda para a primeira avaliação do estado de conservação da espécie pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) que classificou a espécie como Criticamente Ameaçada (Chan Tak-Chuen & Padovani Ferreira, 2006).​​ Recentemente a espécie foi reavaliada como Vulnerável, tendo em vista os dados e recuperação da espécie no hemisfério norte (Bertoncini et al., 2011). 

2007/2008 – Ocorreu o primeiro ciclo do Projeto Meros do Brasil, Programa Petrobras Ambiental, e o estado de  Pernambuco passou então a integrar a Rede Meros do Brasil.  

2012/2013 – O Programa Petrobras Ambiental se repetiu e no ciclo 2018/2019 passou a ser definido como Programa Petrobras Socioambiental.

2016 – A partir de 2017 as ações passaram também a integrar a Rede Pesquisa Ecológica de Longa Duração/International Long Term Ecological Research (PELD/ILTER), com a aprovação pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico Tecnológico (CNPQ) da proposta do Projeto Ecológico de Longa Duração Tamandaré Sustentável (PELD/TAMS).

2020 – O Projeto Meros do Brasil passou a integrar a Rede de Conservação da Biodiversidade Marinha (Biomar). 

2021– Recentemente, os pescadores atuaram de forma muito mais direta, propondo no processo de discussão do Zoneamento Ambiental e Territorial das Atividades Náuticas (ZATAM),  que o complexo estuarino do Rio Formoso passasse a ser classificado como Santuário do Mero.  O Santuário passa a existir oficialmente e constar em decreto em 2021.

2022 – A proposta de criação da Reserva Extrativista do Rio Formoso pelos pescadores e pescadoras dos 3 municípios (Sirinhaém, Rio Formoso e Tamandaré), que já conta com dez  anos de proposição e mobilização, está sendo avaliada pelo governo do estado de Pernambuco.  A proposta, feita pelos comunitários extrativistas de recursos estuarinos da região, é fortemente apoiada por ambientalistas, pesquisadores, ONGs e movimentos locais. 

Em Pernambuco o Meros do Brasil  tem execução via  Universidade Federal de Pernambuco, através do laboratório LECOR do Departamento de Oceanografia, e em estreita parceria com o Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste – CEPENE, em cujas instalações se localiza a sede do Projeto Meros do Brasil – PE,  e o  Instituto Recifes Costeiros,  IRCOS, organização não governamental que objetiva a conservação dos ecossistemas recifais e ambientes associados, além  de várias outras instituições parceiras. 

As atividades realizadas incluem dois eixos principais:

Pesquisa

Tem o objetivo de conhecer a ecologia da espécie, proteger seus habitats essenciais e espécies associadas, e promover a conservação de espécies em parceria com comunidades locais.

Em todo estado, e também ocasionalmente em estados vizinhos, são realizados acompanhamento de longo prazo de registros de encalhes de meros, com deslocamento de equipes para coleta de dados e material biológico.  Estas amostras de biometria, tecido e otólitos são classificadas, processadas e analisadas, e têm contribuído para estudos genéticos, de idade e crescimento, ecologia trófica, pela técnica de isótopos estáveis de C e N, contaminação e de determinação de idade e crescimento, além de análise de impactos que levam a estas mortalidades. 

Amostras biológicas também têm sido coletadas durante atividades de acompanhamento da pesca no estuário do Rio Formoso, principalmente pesca de camboa, que frequentemente captura juvenis da espécie.  Essa arte de pesca é muito comum no norte e nordeste do Brasil, e é amplamente utilizada no Complexo Estuarino do Rio Formoso, no litoral sul de Pernambuco, e consiste em uma “armadilha fixa, constituída de panagens ou esteiras, que são colocadas nas enseadas dos manguezais nas marés altas, presas em estacas fincadas na lama” (IBAMA, 2002). Este acompanhamento inclui dados sobre o esforço de pesca, Captura Por Unidade de Esforço (CPUE) por grupo taxonômico, local de pesca e biometria, e tem sido realizado desde 2000 com algumas interrupções.  O monitoramento das camboas é feito mensalmente e consiste no georreferenciamento dos locais de pesca, onde são realizadas medições e quantificação das redes e malhas utilizadas, identificação e biometria das espécies capturadas, tirada medidas de salinidade e temperatura. Quando algum indivíduo de mero é capturado ele é fotografado (foto ID), a equipe realiza a pesagem, biometria, coleta de material biológico quando viável e marcação com tag externa, para identificação de recapturas. Os materiais coletados são enviados aos laboratórios parceiros para análise.

 Outra importante atividade realizada é a instalação de armadilhas tipo covo, colocadas em locais estratégicos no intuito de capturar indivíduos juvenis de mero para pesagem, medição, coleta de material biológico e marcação através de microchips e marcador numérico. Os indivíduos capturados são soltos na área de captura com a perspectiva de recaptura desses indivíduos.  Estes estudos têm como objetivo determinar as variações espaciais e temporais na abundância do mero no complexo estuarino.

Testes de recepção de telemetria também foram realizados nos estuários e experimentos de telemetria têm sido conduzidos no mar, na área do parque Municipal do Forte de Tamandaré e ZPVM (zona de recuperação marinha da APACC) para testar a efetividade da chamada “área fechada”, onde a pesca e outras atividades não são permitidas, usando peixes recifais como modelo.  Este artigo foi recentemente publicado na revista Marine Ecology Progress Series.

Acompanhamento de ocorrência de meros também tem sido feito durante mergulhos de observação de meros em naufrágios no Parque Estadual dos Naufrágios em Pernambuco, em parceria com operadoras da região.  Participamos ainda do monitoramento das embarcações afundadas Riobaldo e Natureza em parceria com o CEPENE. Em ambientes naturais, são realizados ainda mergulhos de observação, bem como  em lugares  de ocorrência de meros em vários locais do Brasil em parceria com projeto de monitoramento de ambientes recifais Reef Check Brasil.

Os estudos de idade e crescimento desenvolvidos em Pernambuco, através da leitura de otólitos, vão gerar a primeira curva de crescimento para a espécie no Atlântico Sul, o que deverá representar um importante subsídio para a avaliação do estado populacional da espécie. 

Os trabalhos de pesquisa do estado já apoiaram o desenvolvimento de quatro dissertações de mestrado e uma de doutorado concluídas; e duas de mestrado em andamento, sendo a primeira sobre a pesca de camboa e suas características sazonais, duas especificamente sobre o mero, duas sobre tainhas e duas sobre a baúna. 

Educação Ambiental

A Educação Ambiental planejada e efetuada, com os mais variados públicos-alvo, pela equipe do Projeto Meros do Brasil em Pernambuco, tem o objetivo de promover, apoiar, viabilizar e acompanhar diversas vivências lúdico/didático.

São elas:

Oficinas de capacitação com atividades que possibilitem a inclusão social e a possível complementação de renda para as comunidades envolvidas;

Palestras com enfoque na biologia e ecologia do peixe mero, bem como no ambiente costeiro marinho; 

Cursos diversos em parceria com outras instituições, dentre eles, o de Formação de Líderes Ambientais;

Eventos de caráter socioculturais ambientais, geralmente com a participação do Projeto Meros  através de sua tenda montada com uma mostra expositiva de materiais da coleção biológica do museu oceanográfico do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste, CEPENE/ICMBio (Ossos da costela/ vértebras e barbatanas da baleia jubarte – Megaptera novaeangliae; Carapaça e crânio da tartaruga verde – Chelonia mydas; Conchas de moluscos; Esqueleto do coral-de-fogo Millepora alcicornis; Mandíbulas  e tubarões formolizados – Azul e Martelo), tal como material de divulgação do Projeto e peixe mero (folders, cartazes, cartilhas, ecocopos, mero em pelúcia e madeira, banner selfie “mergulhando com o mero”, meros em canva de tamanho real);

Veiculação do Cine “Senhor das Pedras”, que antes do início do filme principal, exibe documentários, vídeos (curta-metragem Itajara), imagens com viés socioambiental, nos bairros, escolas, praças e ruas dos municípios envolvidos no Projeto;

Aplicação de jogos educativos (SUDOKU com peças dos animais dos projetos da Rede Biomar; Jogo de Tabuleiro Circuito Ambiental – Conhecendo para conservar a APA de Guadalupe; Jogo da Memória – Pegadas dos Animais; Jogo Trunfo Super Mero);

Atividades lúdico-pedagógicas com ênfase em crianças da primeira infância e pessoas com deficiência;

Campanhas de limpeza de praias, manguezais e rios;

Saídas de campo através de aula-passeio em um Barco Escola nas águas do Complexo Estuarino do Rio Formoso (Santuário do Mero);

Ações de prática esportiva aquática e o universo da conservação ambiental através da utilização de equipamentos e pranchas de stand up paddle (SUP) como instrumento de transformação socioambiental e de promoção da inclusão social;

Assistência e orientações na Exposição de Amigurumi do Meros do Brasil, técnica japonesa que transforma o crochê convencional em 3D, intitulada “Recifes de Coral e Animais Marinhos” que está exposta permanentemente no Parque Natural Municipal Forte Tamandaré , unidade de conservação instituída pela Prefeitura de Tamandaré, local de grande fluxo de pessoas da comunidade, alunos de escolas públicas e privadas, veranistas e turistas.

Parceiros

  • Universidade Federal de Pernambuco (UFPE);
  • Programa Ecológico de Longa Duração Tamandaré/PE (PELD);
  • Instituto Recifes Costeiros (IRCOS);
  • Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste       (CEPENE/ICMBio);
  • Escola Monteiro Lobato;
  • Centro Golfinho Rotador;
  • Kahuna (Escola de Esportes Aquáticos);
  • Frassato Arte e Terapia;
  • Voluntários do Planeta;
  • Instituto Garis Marítimos;
  • Risoflora Ecoturismo;
  • Educandário Nivaldo da Silva;
  • Hotelzinho Raio de Sol;
  • Associação Creche Padre Enzo;
  • Programa de Monitoramento de Ambientes Recifais Tamandaré/PE (REEF CHECK);
  • Colônias de Pescadores Z-5 (Tamandaré/PE) e Z-7 (Rio Formoso/PE).

Galeria

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