Período concentra registros de animais encontrados mortos, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Projeto Meros do Brasil reforça a importância da colaboração da população para o monitoramento e a conservação da espécie.
Com a chegada da primavera, aumenta a atenção para os registros de meros encontrados mortos ou encalhados na costa brasileira. O histórico de monitoramento do Projeto Meros do Brasil, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, aponta que as ocorrências podem ser mais frequentes durante o inverno e a primavera, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.
Nessa época do ano, os meros estão se deslocando para formar os agregados reprodutivos e dar continuidade à vida da espécie. Diversos fatores podem ocasionar a morte de um mero, que, eventualmente, chegará à costa pelo movimento das correntes. Doenças comuns à espécie, ressurgência (a subida repentina de águas frias para a superfície), interação com a pesca e poluição podem ser apontados como alguns deles.
O mero (Epinephelus itajara), também conhecido como senhor das pedras, é uma espécie ameaçada de extinção. Por isso, cada ocorrência, apesar de uma notícia triste, representa uma oportunidade de ampliar o conhecimento científico sobre o animal e os fatores que afetam suas populações.
O que os encalhes podem revelar?
Desde 2012, o Projeto Meros do Brasil acompanha registros de meros encontrados mortos ou encalhados em diferentes regiões do país. Mesmo quando o animal já está morto, ele pode fornecer informações que dificilmente seriam obtidas a partir de indivíduos vivos. O monitoramento permite reunir dados sobre onde, quando e em quais condições esses animais são encontrados, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a espécie e sobre as ameaças que ela enfrenta.Durante o atendimento a um encalhe, registramos informações como o local, a data, as medidas e o peso do animal, sempre que possível. Também são observadas as condições da carcaça e possíveis sinais de ferimentos, doenças ou outras alterações.
Quando as condições do animal permitem, são coletadas amostras de diferentes tecidos e estruturas para análises posteriores. Isso possibilita investigações sobre aspectos como idade, alimentação e presença de contaminantes no organismo.
Entre as estruturas analisadas estão os otólitos, pequenos componentes do ouvido interno dos peixes. Assim como os anéis de crescimento de uma árvore, os otólitos registram informações que podem ser utilizadas para estimar a idade do indivíduo. A análise dessas estruturas também permite estudar o crescimento dos meros ao longo da vida e comparar meros de diferentes regiões.
Os dados, reunidos ao longo do tempo, formam uma base importante para a pesquisa sobre os itajaras no Brasil. Quando analisados em conjunto, registros de diferentes regiões e períodos podem ajudar a identificar padrões de ocorrência, levantar hipóteses sobre as causas da morte e ampliar o conhecimento sobre os desafios enfrentados pela espécie. Cada registro importa!
A participação da sociedade é fundamental
O monitoramento dos encalhes também depende da colaboração de quem vive ou frequenta o litoral. Qualquer pessoa pode contribuir ao comunicar a ocorrência de um mero encontrado morto, encalhado ou boiando.
Por meio da iniciativa “Viu um mero? #ContaPraGente”, o projeto recebe informações que podem auxiliar na identificação e no acompanhamento desses animais.
Ao encontrar um mero, é importante não tocar, manipular ou tentar devolver o animal ao mar. Se for seguro, registre o local, a data e as condições em que ele foi encontrado. Fotografias e vídeos feitos à distância também podem ajudar na identificação, desde que não coloquem ninguém em risco.
As informações podem ser encaminhadas ao Projeto pelo canal Fale Mero, por telefone ou WhatsApp, no número (21) 99644-7157.
Crédito da fotografia: Áthila Bertoncini