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Pescar no raso ou no fundo? Onde estão os peixes maiores?

A relação entre o tamanho dos peixes e a profundidade em que vivem é um tema recorrente nos estudos de ecologia aquática e revela padrões distintos entre ambientes marinhos e de água doce. De forma geral, acreditamos que os peixes de maior porte tendem a ocupar regiões mais profundas, mas será que isso realmente ocorre? 

No oceano, a distribuição dos peixes segundo a profundidade está fortemente associada às condições ambientais e à disponibilidade de recursos. As águas profundas são mais estáveis em termos de temperatura, salinidade e luminosidade, o que favorece espécies de crescimento lento e vida longa — características comuns em peixes de grande porte. Além disso, em profundidades moderadas há menor pressão de predação e menor competição direta, permitindo que esses organismos invistam mais energia em crescimento corporal. Espécies como o cherne, meros e as garoupas exemplificam esse padrão, habitando geralmente, o talude continental ou regiões com menos de 100 metros. 

No entanto, há exceções importantes: grandes predadores pelágicos, como atuns, marlins e dourados-do-mar, exploram amplos gradientes verticais, deslocando-se entre águas superficiais e  profundidades médias em busca de presas. Esses peixes possuem grande mobilidade e metabolismo elevado, sendo capazes de percorrer longas distâncias e ocupar diferentes camadas da coluna d’água.

Já, nas zonas abissais, abaixo de 3000 metros de profundidade, esse padrão se inverte. Nesses ambientes extremos, a escassez de alimento, a baixa temperatura e a alta pressão fazem com que predominem peixes pequenos ou de médio porte, com metabolismo lento e corpos frágeis. O crescimento é limitado pela baixa disponibilidade de energia, e apenas poucas espécies, atingem tamanhos maiores.

Nos ambientes de água doce, a relação entre tamanho e profundidade é menos evidente, pois os rios e lagos apresentam variações de profundidade muito menores que o oceano. Ainda assim, os peixes maiores — como jaús e surubins — preferem poços profundos e áreas de correnteza moderada. 

Em síntese, o tamanho dos peixes reflete um equilíbrio entre energia disponível, segurança contra predação e condições ambientais, variando de acordo com a profundidade e o tipo de ecossistema. É importante lembrar também que muitos peixes migram para reprodução ou à procura de alimento, então passam períodos do ano em locais rasos ou fundos, a depender do motivo da migração e da espécie. 
E você, já pegou aquele peixão em um local que você não imaginava? Se a sua história envolve um mero, compartilhe conosco através do e-mail comunicacao@merosdobrasil.org.  Toda a informação sobre a espécie, seja ela antiga ou atual, nos interessa e nos ajuda a conhecer ainda mais essa espécie emblemática dos nossos mares. Pratique ciência cidadã e apoie o Projeto Meros do Brasil, patrocinado pela Petrobras e pelo Governo Federal por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Crédito da foto da capa: Áthila Bertoncini

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