Exemplar encontrado morto no litoral foi preservado e agora contribui para atividades de pesquisa, ensino e sensibilização ambiental
Mesmo depois da morte, um mero pode continuar contribuindo para a conservação da espécie. Foi o que aconteceu com um exemplar de Epinephelus itajara encontrado morto no litoral norte da Bahia em 2025. Com cerca de 2,1 metros de comprimento e mais de 150 quilos, após procedimentos de preservação e taxidermia, passa a integrar as ações de sensibilização ambiental em Penedo (AL).
O peixe foi encontrado encalhado pelo programa de monitoramento de praia realizado pelo Projeto TAMAR e destinado ao Projeto Meros do Brasil, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, para fins científicos e educativos. A coleta do material genético e a preparação do exemplar para exibição contou ainda com a parceria da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e do Projeto Tamar.
Taxidermia: Uma técnica que gera conhecimento
Encontrar um animal morto na natureza é uma situação que pode representar uma perda para a população da espécie. Mas, quando esse indivíduo pode ser estudado e preservado, ele também oferece uma oportunidade de transformar essa perda em conhecimento.
A taxidermia é uma técnica utilizada que permite preservar características físicas de animais após a morte, mantendo aspectos como formato, estrutura e dimensões do indivíduo, possibilitando que ele seja utilizado posteriormente em atividades científicas, educativas e de divulgação.
No caso do mero, a técnica foi aplicada a partir de um animal encontrado morto, sem qualquer captura ou retirada da natureza para essa finalidade. Antes do preparo, o exemplar permaneceu congelado em condições adequadas para garantir sua conservação.
Ter o peixe preservado permite observar de perto características que, muitas vezes, são difíceis de compreender apenas por meio de fotografias, vídeos ou ilustrações.
Educação ambiental na prática
A cabeça do mero será destinada ao Centro de Cultura e Extensão Universitária (CCEU), no Centro Histórico de Penedo, e também poderá ser utilizada em atividades dos cursos de Engenharia de Pesca e Licenciatura em Ciências Biológicas da Ufal.
A presença do exemplar em espaços educativos aproxima estudantes, cientistas e visitantes de uma espécie que pode atingir grandes dimensões e que ainda é pouco conhecida por grande parte da população.
A peça poderá apoiar atividades sobre a biologia do mero, seus ambientes de ocorrência, seu papel nos ecossistemas marinhos e costeiros e as ameaças que afetam suas populações. Mais do que mostrar o tamanho de um animal impressionante, o exemplar ajuda a contar uma história sobre a biodiversidade brasileira e sobre a necessidade de proteger os ambientes dos quais ela depende.
“A história desse mero não termina com sua morte. Ela ganha um novo capítulo: o de contribuir para que outras pessoas conheçam, valorizem e ajudem a proteger essa espécie e os ecossistemas marinhos e costeiros onde ela vive”. Acrescenta Tiago.