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Instituto Recifes Costeiros faz soltura de Meros em Tamandaré (PE)

O Instituto Recifes Costeiros, que tem sede em Tamandaré (PE) e é um dos parceiros do projeto “Meros do Brasil”, recebeu, recentemente, de uma fazenda de cultivo de camarão da região cinco exemplares do Mero. Uma das coordenadoras do projeto e professora da Universidade Federal de Pernambuco, Beatrice Padovani, explica que os peixes são bombeados para os canais de alimentação dos tanques quando pequenos, e ficam presos nestes canais até a chamada despesca. Os Meros estavam sendo observados nos canais há cerca de quatro anos pelo proprietário do cultivo, que resolveu contatar os pesquisadores. Os peixes foram encaminhados à sede do Cepene/Ibama (Centro de Pesquisa e Extensão Pesqueira das Regiões Nordeste), também parceiro do projeto de conservação da espécie, e estão sendo tratados em tanques de água salgada, se preparando para voltar ao mar. Segundo Beatrice, um deles teve que ser solto com urgência, na própria região de Tamandaré, porque não estava reagindo bem a adaptação.
Um dos Meros foi devidamente preparado para o monitoramento e a soltura foi realizada em 3 de julho no recife Pirambu. “Fizemos uma marcação a frio no peixe, com nitrogênio liquido, com objetivo de, posteriormente, conseguir fazer o monitoramento, acompanhar o andamento da espécie, saber como se deslocam e se vão sobreviver”, explica a pesquisadora.
Na ocasião, também foi coletado material biológico para estudos de identidade genética. O geneticista e pesquisador do projeto “Meros do Brasil”, Rodrigo Torres, colheu amostra de tecidos das nadadeiras para fins de estudos da espécie, que vão permitir o desenvolvimento de uma ferramenta de genética forense, para mitigar os efeitos da pesca predatória. O pesquisador também pretende evidenciar a grau de variação genética da espécie e verificar como essas diferenças estão distribuídas ao longo da costa brasileira.
A área para soltura respeita o habitat da espécie e foi escolhida juntamente com a Associação de Jangadeiros do local, que quer incrementar o turismo na região do Pirambu e tornar a área ambientalmente sustentável, com práticas de pescas menos agressivas e mergulhos contemplativos. Além disso, Beatrice Padovani lembra que os jangadeiros já identificaram Meros na localidade, com tocas e ambientes propícios para a sobrevivência da espécie.
O primeiro Mero foi solto em local fechado, ou seja, onde é proibida a pesca. O outro foi deixado em em área aberta. “Com isso teremos como comparar a trajetória dos peixes em regiões distintas – com e sem a restrição da pesca”, explica a Beatrice.
Ela acredita que o Mero pode estimular sentimentos de preservação e respeito a vida marinha, que estão muito subjugados por conta da pesca indiscriminada. “A própria lei de crimes ambientais protege todos os animais silvestres exceto peixes, crustáceos e moluscos, ninguém acha que o peixe vai acabar, mas temos que agir para não perder a oportunidade de conviver com estas criaturas”. Com a soltura dos Meros, o turista e a população local também poderão avistar a espécie, conhecê-la e valorizá-la. “A operação de soltura, como parte do projeto Meros do Brasil, visa justamente colocar a espécie em evidência e revelar valores intrínsecos de admiração e preservação da natureza”, completa a pesquisadora.

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