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Exposição inédita do Projeto Meros do Brasil conecta conservação de espécie ameaçada de extinção à recuperação da Baía de Guanabara

A mostra “Meros do Brasil: Resistência e Esperança” é gratuita e ficará aberta ao público durante três meses no saguão de desembarque do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro

No dia 24 de fevereiro, o Projeto Meros do Brasil inaugurou a exposição fotográfica “Meros do Brasil: Resistência e Esperança” no saguão de desembarque do Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio de Janeiro. A exposição conta com o apoio da Infraero para sua realização no Santos Dumont.Inédita e gratuita, a mostra reúne 11 imagens que revelam a força e a potencialidade dos meros e da atuação do Projeto no Rio de Janeiro, ampliando a divulgação sobre a importância da conservação da maior garoupa do Atlântico Sul (Epinephelus itajara) classificada como criticamente ameaçada de extinção na Lista Vermelha do Ministério do Meio Ambiente.

A exposição propõe uma reflexão sobre a capacidade de regeneração da vida marinha, mesmo diante de ameaças como a pesca predatória, a degradação de habitats e a poluição. As fotografias foram produzidas ao longo da costa brasileira pelas lentes de Áthila Bertoncini, Maíra Borgonha, Caio Salles e Rodrigo Campanário, traduzindo em imagens a conexão entre ciência, território e mobilização social.

A Baía de Guanabara e a conservação ambiental

O cenário da exposição reforça a mensagem da mostra. Do lado de fora do aeroporto, a paisagem revela a Baía de Guanabara (BG) — ecossistema de enorme relevância ambiental, histórica e econômica, mas também profundamente impactado por séculos de degradação. A iniciativa estabelece, assim, um diálogo direto entre ambiente, ciência e realidade: de um lado, a vista das águas da baía e de seus cartões-postais; de outro, imagens que evidenciam a beleza e a vulnerabilidade de uma espécie que depende diretamente da saúde desses ambientes.

Segundo Jonas R. Leite, gerente executivo do projeto e coordenador do Meros no RJ, a edição fluminense traz um contexto regional marcante. “A Exposição Meros do Brasil: Resistência e Esperança do RJ apresenta a realidade nacional e fluminense da luta diária de um animal da fauna brasileira ameaçado de extinção”, diz Jonas.

Impacto ambiental e reflorestamento de manguezal

A foto intitulada “Mosaico da Guanabara”, de autoria de Caio Salles, é o registro de um reflorestamento de manguezal realizado pelo Meros do Brasil em parceria com a Rede de Conservação Águas da Guanabara (REDAGUA) na BG. Os manguezais, ecossistemas que quase sumiram da região da BG nos séculos XIX e XX por conta do desmatamento desenfreado, são fundamentais para a recuperação ambiental da região. Iniciativas como essa devolvem vida à baía e fortalecem seu equilíbrio ecológico. Esses esforços são especialmente importantes, porque os meros dependem de manguezais como berçários para que fechem seus ciclos de vida.

“Outra imagem impactante retrata uma praia da Ilha do Fundão, no Rio, tomada por lixo, evidenciando um contraste atual: enquanto praias da Zona Sul vêm sendo notícia por melhorias na balneabilidade, outras áreas da Baía de Guanabara ainda sofrem diariamente com toneladas de resíduos”, destaca Jonas em referência à fotografia “O que os olhos não veem”, de Rodrigo Campanário, fotógrafo carioca.

Meros: presença ancestral ameaçada

Historicamente abundantes na Baía de Guanabara, os meros, que habitam o oceano há cerca de 20 milhões de anos, tornaram-se raros na região ao longo do tempo. A degradação ambiental intensificada desde o século XIX afetou diretamente manguezais e populações da espécie. Apesar da pesca do mero ser proibida desde 2002, medida considerada fundamental para evitar sua extinção, as populações seguem mínimas na baía.

De acordo com Jonas, o Projeto Meros do Brasil, que conta com o patrocínio da Petrobras e do Governo Federal por meio do Programa Petrobras Socioambiental, realiza pesquisas para monitorar esses remanescentes populacionais e reconstrói a história da espécie na região por meio de registros científicos e relatos de pescadores e moradores do entorno da baía. “Antes da formação desse estuário, há cerca de 7 mil anos, os meros já ocupavam esse ambiente, mas a presença ancestral desta espécie está atualmente ameaçada”, afirma.

Mostra fotográfica e a Década do Oceano

O Projeto Meros do Brasil prevê, no total, nove exposições diferentes e itinerantes — uma para cada estado de atuação — circulando por localidades até 2028. Cada edição possui curadoria própria, valorizando as especificidades culturais, ambientais e históricas de cada território.

No Rio de Janeiro, houve uma cerimônia de inauguração para convidados no Auditório da Administração da Infraero, no dia 24. A mostra foi aberta ao público no dia 25 de fevereiro e segue disponível para visitação até 23 de maio, das 6h às 22h30.

A exposição está alinhada à Década do Oceano (2021–2030), instituída pela Organização das Nações Unidas, especialmente às Metas 6 (um oceano acessível) e 7 (um oceano inspirador e envolvente). Ao promover o acesso ao conhecimento científico e sensibilizar diferentes públicos em um espaço de grande circulação, a iniciativa do projeto contribui para fortalecer a cultura oceânica no país.

Crédito das imagens: Vitória Lima

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