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Berçário de meros no Pará: Projeto Meros do Brasil realiza busca de sucesso no estado

Enquanto parte da equipe do Projeto Meros do Brasil ainda sonha com o primeiro avistamento – afinal, encontrar um mero (Epinephelus itajara) na natureza é raro e desafiador – uma boa notícia renova o entusiasmo de todos: a equipe da região Norte, acaba de registrar os primeiros merinhos no Pará, reforçando que todo o esforço tem valido a pena.

Cinco merinhos foram encontrados em um tradicional banco de ostras da comunidade de Curuçá, marcando a primeira busca de sucesso na área. O avistamento é especialmente importante porque representa um marco para as atividades de pesquisa e monitoramento no estado, já que o Meros do Brasil, patrocinado pela Petrobras e Governo Federal por meio do Programa Petrobras Socioambiental, é o primeiro projeto a realizar monitoramento de itajaras juvenis na região.  

Ciência e comunidade

A parceria com os ostreicultores da Vila de Lauro Sodré começou quando eles relataram a presença de meros juvenis na região. “Hoje, o monitoramento ocorre em dois cultivos do rio Muriá, o da AQUAVILA e o do Eco Hotel Leão de Judá, com apoio direto do vice-presidente da associação, Sr. Zico. O trabalho também se estendeu à Ilha de Pacamorema, indicada por pescadores como área de alta ocorrência de juvenis. Assim, o monitoramento integra ostreicultores, pescadores e lideranças comunitárias na identificação de áreas-chave para a conservação”, explica Luana Mescouto, supervisora de pesquisa do Meros.

Os parceiros locais contribuem para a logística, o reconhecimento das áreas e o manejo das armadilhas, utilizando seu conhecimento acumulado sobre pesca e ostreicultura. “Essa colaboração tem sido essencial para localizar novos pontos de ocorrência e mapear áreas sensíveis na RESEX – Mãe Grande de Curuçá”, complementa Luana.

Berçário de meros

O maior mero coletado tinha 41 centímetros, e o menor apenas 9 cm, um tamanho ainda não registrado na região. A pesquisadora ficou surpresa com a descoberta, e relatou que nunca tinha visto meros tão pequenos. 

A presença desses merinhos em áreas de manguezal é um ótimo sinal. Os manguezais funcionam como verdadeiros berçários para os meros, que permanecem nesses ambientes até cerca de sete anos de idade, antes de migrarem para águas mais profundas. “O Pará abriga a maior faixa contínua de manguezais do mundo. Apesar da proteção legal da espécie, ainda há registros de captura e comércio no estado, o que torna o monitoramento estratégico”, alerta Luana. 

Os meros capturados são medidos, pesados, marcados e devolvidos ao ambiente.  Durante as amostragens também são coletados dados sobre a água – temperatura, salinidade, visibilidade – e de ictioplâncton, para saber se existem larvas e ovos de meros e outras espécies de peixes no local. De acordo com Luana, “o novo registro é importante porque indica uma área de berçário de espécie, importante de ser preservada. Cada avistagem ajuda a preencher lacunas sobre a presença dos meros na costa brasileira, especialmente na região Norte”.

Crédito das fotos: Luana Mescouto

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