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Narrativas negras em ações educativas e ambientais do Meros do Brasil

Pela valorização da diversidade cultural brasileira, o Projeto Meros do Brasil, patrocinado pela Petrobras e Governo Federal por meio do Programa Petrobras Socioambiental, em parceria com o núcleo Agbalá Conta, promoveu o curso “A arte de narrar histórias pretas”. A ação faz parte da estratégia de formação continuada da equipe de cultura e educação, e contemplou também representantes de instituições parceiras e da sociedade civil.

Ministrada por Giselda Perê, que apresenta-se como Agbalá Conta, a formação propôs imersão  em narrativas de origem africana e afro-brasileira, e a reflexão sobre o papel da oralidade – através da contação de histórias – na construção de identidade, pertencimento e responsabilidade coletiva. Além da abordagem sobre as técnicas de contação, foram trabalhadas vivências de escuta ativa e abordagens que potencializam o vínculo com o público a partir do respeito às raízes culturais e à ancestralidade .

Lívia Bordignon Pereira, supervisora de educação ambiental do Rio de Janeiro, participou do curso e compartilhou sua experiência: “O curso ampliou a minha perspectiva e me fez olhar para minha própria história de vida com mais poesia. Narrar é encantar, é traduzir mundos, é transpor o espaço e o tempo, é suspender a realidade por alguns instantes, teletransportando os ouvintes conduzidos através de sua voz. Aprendi a facilitar essa condução e esse guiamento, utilizando não somente a voz, mas outros elementos que dão o tom do ambiente para o qual queremos convidar o espectador a viajar.” 

Reparação

A realização do curso de contação de histórias pretas representou mais do que um processo formativo para a equipe: marcou um reposicionamento institucional comprometido com a reparação histórica e com a transformação das práticas que sustentam o projeto. Ao reconhecer e valorizar narrativas negras, saberes ancestrais e protagonismos historicamente silenciados, afirmamos que ciência e conservação não podem se dissociar das dimensões sociais, culturais e políticas que moldam os territórios e as pessoas que os habitam. Esse compromisso se materializa tanto nas ações internas quanto nas atividades levadas para a rua, reafirmando que cuidar da biodiversidade também exige enfrentar desigualdades, reconstruir memórias e promover justiça histórica como parte indissociável da produção e da aplicação do conhecimento científico.

Esse entendimento também é reforçado por Jorge Galdino, coordenador da Bahia, que destaca a importância da iniciativa: “É fundamental ressaltar e parabenizar o projeto Meros do Brasil por promover um ciclo formativo para a equipe do Círculo de Cultura e Educação, possibilitando o aprimoramento de habilidades humanas, técnicas e conceituais a partir de uma pedagogia da oralidade antirracista. A formação, conduzida pela arte-educadora Giselda Perê, trouxe orientações essenciais sobre as relações étnico-raciais em uma sociedade estruturada pela violência de um passado escravocrata.”

Além desta, em 2025 o Projeto Meros promoveu dezenas de formações para sua equipe e eventuais convidados, reafirmando seu compromisso com a  atuação cada vez mais integrada, sensível em ouvir as demandas e os desafios da sociedade brasileira, para transformar realidades opressoras e excludentes que não estão condizentes na nossa visão de mundo.

Crédito da foto da capa: Agnnes Marie Pereira

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