A Baía de Guanabara ganhará um novo espaço virtual voltado à cooperação e difusão de conhecimento sobre o território. Batizado de Kûánãpará — que significa “seio de mar” em tupi — o Hub de Soluções Guanabara reunirá, em um repositório online, dezenas de referências bibliográficas de livros, pesquisas, artigos e notícias, além de um mapa digital interativo com a localização e as informações sobre o trabalho desenvolvido por iniciativas socioambientais relacionadas à baía.
O anúncio da criação do Hub de Soluções foi feito pelo Projeto Meros do Brasil na 2ª edição do evento Guanabara: Terra, Água e Vida, realizada na última sexta-feira, 22 de maio, no Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ). O encontro reuniu pesquisadores, pescadores, organizações sociais e representantes de projetos socioambientais para refletir sobre os impactos socioambientais na Baía de Guanabara, os caminhos de regeneração da região e as soluções que já estão em curso.
Hub de Soluções Guanabara: rede de cooperação e troca de conhecimento
Segundo Luana Seixas, gerente de Redes e Relacionamentos do Projeto Meros do Brasil, o Hub de Soluções Guanabara surgiu da necessidade de centralizar informações que, atualmente, estão dispersas em diferentes plataformas, instituições e formatos.
“Desde a primeira edição do Guanabara Terra, Água e Vida, percebemos a importância de reunir em um só lugar as informações levantadas ao longo do evento. Muito do conteúdo sobre a Baía de Guanabara ainda está disperso entre estudos técnicos, reportagens e pesquisas acadêmicas, o que dificulta o acesso e a circulação dessas informações. Este Hub, lançado como resultado da segunda edição do evento, nasce justamente para organizar e dar continuidade a esse conhecimento, servindo também como uma plataforma de acompanhamento e apoio para a imprensa”, afirmou Luana.
A ideia é contribuir para ampliar o acesso aos estudos sobre a região, conectando a produção de conhecimento e divulgando o trabalho que vem sendo desenvolvido há décadas por diferentes iniciativas. Por questões de direitos autorais, o Hub disponibilizará as referências e informações catalográficas, sem permitir o download direto das obras.
O Kuánãpará ficará hospedado aqui no site do Projeto Meros do Brasil, podendo, ainda, ser integrado às páginas na internet dos outros projetos que compõem a Rede de Conservação Águas da Guanabara (REDAGUA) – Aruanã, Cavalos-Marinhos, Coral Vivo, Guapiaçu e UÇÁ. Até o fim do ano, será concluída a definição da metodologia de seleção das publicações que estarão no repositório.
Mapa digital interativo
Pelo mapa interativo, que vai abranger os municípios do entorno da baía e os que integram a bacia hidrográfica do estuário, será possível localizar onde atuam os projetos socioambientais da REDAGUA, os pesquisadores, organizações e cidadãos que assinaram a Carta da Guanabara, um documento que foi resultado da 1ª edição do evento Guanabara: Terra, Água e Vida, ocorrida em 2022. “O mapa vai mostrar quem atua na Baía de Guanabara e onde atua. A ideia é fortalecer as conexões entre academia, projetos e instituições que trabalham pela regeneração desse território”, explicou Luana.
A ser disponibilizado no Kuánãpará, o documento contém 9 premissas relacionadas à realidade da Guanabara, das quais 7 são indicadores do planejamento estratégico cujo acompanhamento ocorre no âmbito da REDAGUA.
Chancela da Década da Ciência Oceânica
Com participação presencial e online, o encontro foi promovido pelo Projeto Meros do Brasil, que conta com o patrocínio da Petrobras e Governo Federal por meio do Programa Petrobras Socioambiental, em parceria com os outros projetos da REDAGUA.
Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e com a chancela Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030), da Organização das Nações Unidas (ONU), o evento promoveu a reflexão sobre o presente, passado e futuro da Baía de Guanabara, conectando ciência, cultura, conhecimento tradicional e mobilização social.
Mais do que discutir os problemas históricos da Baía de Guanabara, o encontro buscou incentivar uma mudança de narrativa, destacando iniciativas de regeneração, conservação e fortalecimento comunitário que já estão em curso no território.
Crédito da foto da capa: Maria Augusta de Castro Seixas