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O mero ainda está aí? Registros, percepções e a realidade das espécies ameaçadas

Nos últimos anos,  houve um aumento expressivo no número de registros de espécies ameaçadas, impulsionado pelo uso de câmeras digitais, celulares, redes sociais e plataformas de ciência cidadã. Esses novos registros são extremamente importantes, pois ao serem validados, ampliam o conhecimento sobre a distribuição geográfica, o comportamento e a ocorrência das espécies. No entanto, esses registros podem gerar uma percepção equivocada de que ainda existe grande abundância de determinadas espécies nos ambientes. O elevado número de imagens e relatos compartilhados não significam, necessariamente, que as populações destas espécies estejam saudáveis, mas sim que há hoje tecnologia e mais acesso e condições para as pessoas registrarem e compartilharem esses encontros com espécies livres na natureza.

É fato que os impactos ambientais continuam se intensificando e a perda de ecossistemas e biodiversidade andam a passos largos a caminho da extinção. A poluição, destruição e fragmentação de habitats e as mudanças climáticas, resultado das atividades humanas, atuam de forma cumulativa, reduzindo a abundância e a capacidade de recuperação das populações naturais. Assim, o aumento do compartilhamento de registros de determinadas espécies não representam que estejam menos ameaçadas ou se recuperando. Na verdade indica apenas uma maior capacidade de documentação e compartilhamento em um cenário de declínio contínuo. Apesar da grande importância e utilidade dos registros obtidos por meio destas tecnologias, eles não substituem os dados provenientes de capturas históricas, monitoramentos de longo prazo e estudos ecológicos consolidados. 

As informações históricas são fundamentais para identificar tendências reais de declínio populacional e para avaliar corretamente o estado de conservação das espécies. Se os impactos ambientais não forem reduzidos, as populações de muitas espécies continuarão diminuindo, como também o próprio número de registros realizados pelas pessoas tenderá a cair de forma acelerada, à medida que se tornem cada vez mais raros. 

Enfatizamos que é muito importante compartilhar os registros de espécies ameaçadas, como o mero (Epinephelus itajara), desta forma  incentivamos que pescadores, amadores e profissionais, documentem suas capturas, contribuam com suas informações e busquem diálogo com pesquisadores locais, evitando tirar e divulgar conclusões precipitadas.  Ao encontrar ou registrar um mero, espécie criticamente ameaçada no Brasil, pedimos que essa informação seja compartilhada com o Projeto Meros do Brasil, patrocinado pela Petrobras e pelo Governo Federal, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, pelo e-mail contato@merosdobrasil.org ou pelas redes sociais do projeto (@merosdobrasil). Registros da espécie, independentemente de serem antigos ou recentes, têm grande relevância científica e são fundamentais para aprofundar o conhecimento sobre a espécie. A compilação desses dados permite avaliar mudanças na distribuição, abundância e padrões de ocorrência ao longo do tempo. Ao colaborar, você fortalece a ciência cidadã e contribui diretamente com a conservação marinha. Lembre-se, viu um mero? Conta pra gente!!!

Crédito da foto da capa: Áthila Bertoncini

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